
Mais sujeira e crise climática a caminho: governos da Ásia estão intensificando o uso de carvão, o combustível fóssil mais poluente, na tentativa de suprir a enorme escassez de petróleo, derivados e gás provocada pela guerra no Irã. De Bangladesh à Coreia do Sul, os países estão tentando compensar a queda nas importações de combustíveis fósseis, já que grande parte dos volumes provém do Oriente Médio.
A retomada do carvão preocupa especialistas em clima, que apontam para o impacto ambiental e climático devastador do combustível fóssil. Além disso, afirmam que a crise energética deve servir de alerta para que os governos invistam em energias renováveis, que podem oferecer um fornecimento mais estável e não sujeito a choques de preços, explica o Guardian.
Com a guerra, os preços do gás liquefeito (GNL) à vista subiram 70% na Ásia – o maior patamar em três anos -, algo que poucos países da região Ásia-Pacífico podem suportar, informa o Oil Price. Com isso, China, Índia, Coreia do Sul, Japão e todo o sudeste e sul da Ásia estão utilizando as reservas de carvão que criaram nos últimos anos.
A Coreia do Sul anunciou que adiará o fechamento de termelétricas a carvão e suspendeu os limites de geração de eletricidade a partir do combustível fóssil. Na Tailândia, o governo aumentou a produção na maior usina a carvão do país. E as Filipinas, que declararam “estado de emergência energética nacional” por causa da guerra, também planejam ampliar a operação de suas plantas movidas pelo combustível.
A Índia, que depende do carvão para quase 75% da sua geração elétrica, solicitou que as suas centrais funcionem com capacidade máxima e evitem interrupções programadas. A demanda pelo combustível fóssil aumentou consideravelmente com a guerra, informa o Business Standard. Um exemplo são as vendas da Coal India, que em março registraram um aumento significativo pela primeira vez em seis meses, segundo o Outlook Business.
Especialista em clima e energia do King’s College London, Pauline Heinrichs reforça que o choque energético deveria ser um ponto de virada para os governos, e não um retorno a velhas fórmulas. “O impacto do carvão no clima e na saúde é devastador e desastroso – e comprovamos isso há muitas décadas. Ele não só agrava os riscos climáticos, como também a poluição e a toxicidade. A atual crise energética sublinhou a importância da energia renovável, não apenas como uma prioridade climática, mas, em última análise, para a segurança energética em geral na Ásia.”
Em tempo: A sobrevida ao carvão não se restringe à Ásia. Na Europa, a Itália planeja adiar o fechamento de suas termelétricas a carvão restantes até 2038, 13 anos depois do previsto inicialmente, informam Earth.org e Reuters. A desculpa é a mesma: a guerra no Oriente Médio. Na 3ª feira (31/3), a câmara baixa do parlamento italiano votou a favor da prorrogação da vida útil das quatro termelétricas a carvão restantes do país, que atualmente estão em regime de espera. O Plano Nacional de Energia e Clima, um plano decenal fornecido pela União Europeia aos Estados-membros para atingir as metas de descarbonização da UE, havia inicialmente previsto o seu encerramento até dezembro de 2025.



