MPF recomenda suspensão imediata de venda de créditos de carbono no Pará

Órgão afirma que a certificação só poderá continuar após a conclusão da ação que aponta irregularidades no contrato de R$ 1 bi firmado pelo Estado.
13 de abril de 2026
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Carolrmoraes, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

O Ministério Público Federal (MPF) emitiu um ofício recomendando a suspensão imediata de todos os processos de certificação e venda de créditos de carbono no estado do Pará. O ofício foi enviado à Secretaria da Arquitetura para Transações REDD+ (ART), certificadora que estabelece padrões internacionais para créditos de carbono.

O órgão argumenta que a certificação só poderia ter continuidade após a conclusão de uma ação civil pública, ajuizada pelo MPF no ano passado, que aponta irregularidades em um contrato de créditos de carbono firmado pelo Estado no valor de R$ 1 bilhão. A ação aponta problemas no sistema jurisdicional de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) do Pará e no Contrato de Compras de Reduções de Emissões (ERPA), informam ((o))eco e Folha.

Em 2025, o então governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), anunciou a venda de 12 milhões de créditos de carbono à Coalizão Leaf. O grupo reúne os governos dos Estados Unidos, do Reino Unido, da Noruega e da Coreia do Sul, além de empresas como Amazon, Bayer e Fundação Walmart. No valor de US$ 15 por tonelada de CO2, foi a maior venda de créditos de carbono da história, atingindo R$ 1 bilhão.

No entanto, o MPF afirma que o contrato viola a Lei Federal nº 15.042/2024, que proíbe qualquer tipo de venda antecipada de créditos de carbono de programas jurisdicionais referentes a período futuro. O órgão ainda argumenta que estabelecer preços fixos e quantidades de redução de emissões antes de sua verificação e certificação é uma prática ilegal na legislação brasileira.

O MPF também manifesta preocupações com riscos de dupla contagem e com fragilidades na governança do sistema. Além disso, afirma que o processo de consulta às populações indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais da área não foi concluído.

O Pará busca certificar seu programa jurisdicional no padrão internacional TREES, da ART, que permite a emissão de créditos de carbono a partir da redução do desmatamento em escala estadual. Segundo o Um só planeta, o modelo é considerado estratégico para atrair recursos internacionais e financiar políticas públicas de conservação.

  • Em tempo: Funcionários da Microsoft informaram a desenvolvedores de projetos de remoção de carbono que a big tech está suspendendo seu programa de compras de créditos, informam Bloomberg, Exame e Valor. Em pelo menos um caso, a suspensão foi atribuída a razões financeiras. No entanto, um porta-voz da empresa negou que a interrupção seja definitiva para todas as compras. As emissões de gases de efeito estufa da Microsoft cresceram significativamente, impulsionadas pelos investimentos em data centers necessários para sustentar o avanço da inteligência artificial.

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