
Um relatório da organização Radar Verde analisou o nível de controle ambiental na cadeia de fornecedores de gado de grandes frigoríficos que atuam no Cerrado. Das 225 empresas avaliadas, 96% receberam classificação de “grau muito baixo” no compromisso contra o desmatamento, considerando tanto fornecedores diretos quanto indiretos, informa a CNN Brasil.
Foram analisadas 262 plantas frigoríficas instaladas no bioma. Nenhuma delas alcançou níveis intermediário, alto ou muito alto de desempenho socioambiental. Entre as empresas mais bem pontuadas estão, respectivamente, Marfrig, Masterboi, Minerva e JBS.
O relatório também mostra que apenas sete empresas – 3% do total avaliado – demonstraram algum nível de controle sobre fornecedores diretos, ou seja, as fazendas que vendem o gado diretamente ao frigorífico. Já no caso dos fornecedores indiretos, nenhuma apresentou evidências suficientes de monitoramento efetivo dessa etapa da cadeia.
A falta de rastreabilidade pode gerar situações em que a empresa compra de fazendas regularizadas que, anteriormente, receberam gado proveniente de áreas desmatadas ou com outras irregularidades ambientais.
O documento destaca que, diferentemente da Amazônia, o Cerrado não possui instrumentos fortes de fiscalização e penalidade, como os Termos de Ajustamento de Conduta (TACs da Carne) firmados entre frigoríficos e Ministério Público Federal, desde 2009.
A maior parte (78%) das fazendas com pastagens do Cerrado está fora da Amazônia Legal. Assim, também estão fora da abrangência histórica dos sistemas de monitoramento utilizados pelos frigoríficos.
“O Cerrado tem menos áreas protegidas do que a Amazônia, que são grandes freios [ao desmatamento]. Ele está muito mais exposto, tanto pela legislação, que é menos exigente, quanto por uma situação fundiária”, afirmou o engenheiro ambiental e pesquisador Amintas Brandão Jr. ao Globo Rural.
A avaliação da Radar Verde ainda aponta para a baixa transparência das empresas do setor. Segundo a organização, nenhum dos frigoríficos respondeu aos questionamentos enviados para detalhar as práticas de monitoramento e de controle social. O estudo foi elaborado com base em informações públicas.



