Após embates com o agronegócio, governo lança oficialmente o Plano Clima

Plano contém avanços, mas está longe de promover a transformação econômica necessária para cumprir a meta de 1,5°C do Acordo de Paris.
17 de março de 2026
petróleo lobistas agronegócio mundial invadem COP29
Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

O governo Lula lançou na 2ª feira (16/3) a última etapa do Plano Clima, após embate com os setores do agronegócio e da energia. Para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o plano é o principal instrumento para estruturar e aplicar a política climática de redução de gases de efeito estufa (GEE) e preenche uma lacuna de 17 anos desde sua primeira versão, de 2008.

A CNN Brasil destaca que o Plano Clima reforça a necessidade de reduzir as emissões para cerca de 1,2 bilhão de toneladas de CO2 equivalente (tCO2eq) até 2030, como estabelecido na meta climática (NDC) brasileira – atualmente, o Brasil emite mais de 2 bilhões de toneladas de CO2 por ano. O objetivo exige transformações profundas em setores-chave da economia, especialmente no uso da terra, na agropecuária e na energia. Apesar dos avanços do documento, o objetivo ainda fica aquém do necessário, segundo avaliação de especialistas.

O plano está organizado em três eixos principais, detalha o Pará Terra Boa: mitigação, adaptação climática e estratégias transversais para a ação climática.

O primeiro envolve oito setores: uso da terra em áreas públicas e territórios coletivos; uso da terra em áreas rurais privadas; agricultura e pecuária; indústria; energia; transportes; cidades; resíduos sólidos e efluentes domésticos.

O eixo de adaptação abrange 16 setores: agricultura e pecuária; agricultura familiar; biodiversidade; cidades; energia; indústria e mineração; igualdade racial e combate ao racismo; oceano e zona costeira; Povos e Comunidades Tradicionais; Povos Indígenas; redução e gestão de riscos e desastres; recursos hídricos; saúde; segurança alimentar e nutricional; transportes; e turismo.

Já o eixo de estratégias transversais aborda educação, transição justa, financiamento climático e a agenda de mulheres e clima, esta última visando ampliar a participação feminina na área. Ao todo, o governo estabeleceu 312 metas setoriais a serem executadas por meio de mais de 800 ações.

O agronegócio foi um dos setores que mais questionou a distribuição das metas de redução de emissões, informa o G1. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que impediu o lançamento do plano na COP30, pedia mais financiamento para viabilizar a redução das emissões, detalha a Folha.

Para destravar o embate, o governo fatiou as responsabilidades da pasta em partes. O Plano da Agricultura ficou com os ministérios da Agricultura (MAPA), Desenvolvimento Agrário (MDA) e Pesca e trata das emissões relacionadas à atividade produtiva. O Plano de Mudança do Uso da Terra em Áreas Rurais Privadas ficou sob a tutela compartilhada do Mapa, do MDA e do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Um terceiro plano, de Mudança do Uso da Terra em Áreas Públicas e Territórios, fica sob responsabilidade do MMA.

Para cada grupo foi estipulada uma meta de redução diferente. O Plano da Agricultura ficou com a meta menos exigente: entre 7% de redução e 2% de aumento nas suas emissões até 2035. A mais exigente ficou com o plano de áreas públicas, que precisa registrar uma redução entre 155% e 156% até 2035. Já no de Áreas Privadas, o objetivo ficou entre 109% e 110%.

Para Claudio Angelo, coordenador de política internacional do Observatório do Clima, o plano deve ser celebrado. No entanto, “está longe de fazer a transformação econômica de que precisamos para dar a contribuição justa do Brasil para um mundo de 1,5°C”, frisa.

Quanto aos combustíveis fósseis, João Cerqueira, líder da equipe do Brasil na organização ambiental 350.org, afirma que o Plano Clima reforça contradições existentes. “A ausência de um roteiro claro para a eliminação dos combustíveis fósseis ocorre justamente quando o sistema energético brasileiro já enfrenta pressões. Com preços de eletricidade em torno de R$ 130/MWh e famílias de baixa renda comprometendo até 18% de sua renda com energia, a necessidade de uma transição justa e acelerada nunca foi tão evidente. No entanto, quando se trata de combustíveis fósseis, o Plano Clima não responde a esse desafio”, avalia.

CNN Brasil, SBT News, Poder 360, Gigante 163, UOL, Jornal GGN, Globo Rural, g1, Brasil de Fato e ((o))eco também repercutiram o Plano Clima.

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Justiça climática

Nesta sessão, você saberá mais sobre racismo ambiental, justiça climática e as correlações entre gênero e clima. Compreenderá também como esses temas são transversais a tudo o que é relacionado às mudanças climáticas.
2 Aulas — 1h Total
Iniciar