
O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, afirmou que há setores que apostam na piora da crise climática, o que pode levar a uma “nova Idade Média” no planeta. A declaração foi dada no seminário “O papel dos países e da cooperação multilateral no roteiro global” (assista aqui), promovido pelos Observatório do Clima, ClimaInfo e Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis na 3ª feira (24/3).
“Vejo setores apostando em um agravamento da crise climática, um mundo mais desigual, fragmentado, quase como uma nova ‘Idade Média’, em que os ricos estão protegidos e o resto da Humanidade fica exposto. Isso é profundamente imoral e revela as forças políticas que ainda atuam contra uma transição para longe dos combustíveis fósseis”, disse Corrêa do Lago, em fala destacada pelo Projeto Colabora.
Corrêa do Lago está à frente da elaboração do mapa do caminho global para a eliminação dos combustíveis fósseis. O documento deve ser finalizado antes da COP31, que acontece em novembro, na Turquia, informa a Folha.
O roadmap não buscará um consenso imediato sobre o tema, mas sim mostrará que existe ciência, conhecimento e caminhos economicamente viáveis de abrir mão dos combustíveis fósseis. “Temos que mostrar para o mundo que a alternativa (ao agravamento da crise climática) é viável e incontornável, e não deixar que aqueles que estão apostando numa desgraça geral dividam aqueles que estão procurando soluções.”
Em entrevista à eixos, o presidente da COP30 contou que o mapa já conta com estrutura definida, após uma série de consultas realizadas nos primeiros meses deste ano. “O documento vai ter três partes: uma primeira parte é sobre os desafios, uma segunda parte é sobre soluções que existem, e a terceira parte são as conclusões da presidência da COP”, detalhou.
Ao mesmo tempo, Corrêa do Lago reconhece que a guerra no Oriente Médio mostra que o roadmap precisará levar em conta a exposição das economias a choques globais como a que o mundo atravessa neste momento com o petróleo e o gás. “Temos que assegurar, planejar muito bem o que é planejável e, evidentemente, ter uma certa flexibilidade para as crises de grande dimensão.”



