IEA, FMI e Banco Mundial discutirão crise energética provocada pela guerra

Instituições concordaram em formar grupo de coordenação para lidar com uma das maiores crises de escassez de oferta do mercado global de energia.w
8 de abril de 2026
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Rawpixel

Os líderes da Agência Internacional de Energia (IEA), do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial discutirão o choque do petróleo causado pela guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã na próxima 2ª feira (13/4), informa a Reuters. Apesar do cessar-fogo de duas semanas e da reabertura do Estreito de Ormuz, os estragos provocados pelo conflito na infraestrutura de combustíveis fósseis do Oriente Médio e as incertezas sobre um retorno dos ataques mantêm os preços elevados (leia aqui).

Fatih Birol, da IEA, Kristalina Georgieva, do FMI, e Ajay Banga, do Banco Mundial, concordaram na semana passada em formar um grupo de coordenação para ajudar a lidar com a guerra, que causou uma das maiores crises de escassez de oferta na história do mercado global de energia, lembra a Reuters. O mecanismo de resposta das entidades poderia incluir aconselhamento político direcionado, avaliação das potenciais necessidades de financiamento e fornecimento de apoio, inclusive por meio de financiamento a juros baixos ou nulos, bem como ferramentas não especificadas de mitigação de riscos.

Na 3ª feira (7/4), Birol disse em entrevista ao Le Figaro, repercutida por Reuters e Guardian, que a atual crise do petróleo e do gás é “mais grave do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas”. O diretor-executivo da IEA pontuou que países europeus, assim como o Japão e a Austrália, sofrerão, mas os mais vulneráveis ​​são as nações em desenvolvimento, que sofrerão com o aumento dos preços de petróleo e gás e também dos alimentos e uma aceleração geral da inflação. Em resumo: novamente a bomba mais potente estoura no Sul Global por erros do Norte.

Ao Financial Times, Birol previu mudanças no mercado energético global após o atual choque do petróleo. Para ele, as fontes renováveis receberão um novo impulso, mas também haverá uma aceleração da energia nuclear por meio de pequenos reatores modulares – vale lembrar que a agência considera a fonte como uma alternativa de descarbonização energética, apesar de seus imensos perigos. No curto prazo, porém, o carvão pode ganhar força.

O chefe da IEA ainda projeta um grande impulso aos veículos elétricos, com os consumidores pensando duas vezes antes de adquirir modelos a combustíveis fósseis. A dependência do gás fóssil também entrará em xeque. E o prêmio de risco geopolítico para produtos energéticos será maior. Importadores não olharão apenas para produto e preço, mas também avaliarão cuidadosamente quem está vendendo em termos de segurança energética, diz Birol.

A projeção de Birol é compartilhada por analistas ouvidos pelo Financial Times. O carvão pode ser um dos primeiros beneficiários imediatos da guerra no Oriente Médio, mas, no longo prazo, o conflito deve acelerar a adoção de tecnologias mais limpas, à medida que governos em todo o mundo buscam reduzir a dependência de importações de combustíveis fósseis vindos de regiões instáveis.

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