Faltam regras ambientais para data centers em 22 dos 27 estados

Brasil ainda está distante de uma maturidade regulatória compatível com a velocidade de expansão desse mercado, avalia pesquisador.
14 de abril de 2026
data centers
kp yamu Jayanath/Pixabay

Dos 27 estados brasileiros, 22 não contam com regras de licenciamento ambiental para a operação de data centers, um setor cada vez mais estratégico para a economia digital, embora carregado de problemas ambientais e sociais. Os dados são de um estudo de mestrado em Ciências do Meio Ambiente da Universidade Veiga de Almeida (UVA).

Segundo a análise, dos cinco estados que contêm leis sobre o tema, Piauí e Rio Grande do Sul contam com normas focadas na atividade, incluindo critérios a partir da potência instalada e do potencial poluidor dos data centers. Já Ceará, Rio Grande do Norte e Goiás contam com iniciativas em desenvolvimento, como projetos de lei e propostas normativas focadas no impacto gerado pela tecnologia, explicam Exame e Cenário Energia.

O Brasil possui cerca de 48% da capacidade instalada de data centers em operação da América Latina e 71% da capacidade em construção. Logo, os dados evidenciam a disparidade entre normas regulatórias e o ritmo acelerado de expansão dessas estruturas.

Além disso, a fragmentação de regras pode gerar distorções no ambiente de negócios e insegurança jurídica. Sem regras uniformes, cada estado adota interpretações dentro das normas gerais de licenciamento ambiental, o que pode resultar em tratamentos desiguais para empreendimentos parecidos. Ou mesmo uma “corrida” de data centers para unidades da federação que tenham regras ambientais mais frouxas – ainda mais após a Lei da Devastação, ou Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que delegou várias análises antes sob responsabilidade federal para os estados.

Ricardo Soares, coordenador do Mestrado em Ciência do Meio Ambiente da UVA, ressalta que o Brasil ainda está distante de uma maturidade regulatória compatível com a velocidade de expansão desse mercado. “É necessário avançar na definição de critérios claros e tecnicamente robustos para garantir responsabilidade ambiental”, afirmou.

  • Em tempo: Nos Estados Unidos, a Reuters conta como os retrocessos ambientais promovidos por Donald Trump têm sido uma realidade dolorosa para quem luta por um ar mais limpo. Depois de revogar uma norma da gestão Biden que obrigaria fábricas a reduzirem suas emissões de fuligem, o “agente laranja” emitiu uma nota executiva para fortalecer a indústria do carvão, com objetivo de atender a demanda de eletricidade impulsionada pelos data centers. A cidade de Saint Louis, no Missouri, é uma das mais afetadas pela reversão regulatória. Em 2025, os residentes da região tinham ar "bom" para respirar durante apenas um terço do ano, de acordo com o Índice de Qualidade do Ar da Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA.

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