
No Dia Mundial do Meio Ambiente – 5 de junho -, a plataforma de consulta a processos jurídicos Escavador apresentou um levantamento de processos relacionados a crimes ambientais no Brasil nos últimos anos. Somente entre 2023 e 2026, foram mais de 160 mil denúncias por crimes contra a fauna, a flora e por poluição, somando processos que já corriam na Justiça e novas ações.
A quantidade de novos processos relacionados a esses temas saltou de 9,8 mil denúncias em 2023 para 18 mil em 2025 – um crescimento de 86%. Foram 41 mil registros no período.
No recorte por categoria, os processos ligados à poluição tiveram o crescimento mais acentuado, de 10,9 mil para 18 mil ações, alta de 66%, detalha o Valor. Os crimes se concentraram em Minas Gerais (11 mil), Rio Grande do Sul (6,3 mil) e Santa Catarina (4,5 mil).
Crimes contra a flora somaram mais de 67 mil processos no período, com as principais queixas envolvendo destruição e degradação ambiental; queimadas e incêndios florestais; desmatamento vinculado à exploração econômica irregular; e extração ilegal de madeira. São Paulo lidera o ranking (15,1 mil), seguido de Minas Gerais (13,9 mil), Santa Catarina (7,9 mil) e e Rondônia (3,9 mil).
Já a respeito da fauna, foram 55 mil processos, envolvendo caça ilegal, tráfico de animais silvestres, importação irregular de espécies controladas, pesca ilegal, maus-tratos e degradação de ecossistemas aquáticos. São Paulo também lidera nessa categoria (14,8 mil), seguido por Minas Gerais (10,8 mil), Santa Catarina (5,1 mil), Rio Grande do Sul (3,4 mil) e Rio de Janeiro (2,7 mil).
Outro levantamento lançado em função do Dia do Meio Ambiente foi a 2ª edição do relatório “O protagonismo das florestas brasileiras na agenda climática global”, elaborado por uma coalizão de organizações da sociedade civil, centros de pesquisa e representantes do setor empresarial. Uma das principais conclusões do documento é que as florestas brasileiras precisam deixar de ser vistas apenas como aliadas no combate às emissões de carbono e passar a ocupar um papel central nas estratégias de adaptação às mudanças climáticas, destaca o Um só planeta.
O relatório sustenta que o valor econômico das florestas vai muito além dos créditos de carbono. Em um cenário de secas mais severas, incêndios florestais, perdas agrícolas e crises hídricas, elas passam a ser tratadas como uma espécie de infraestrutura natural capaz de reduzir riscos climáticos e sustentar atividades econômicas.
O estudo reúne dados sobre conservação, restauração florestal e silvicultura em todos os biomas terrestres do país. Além da Amazônia e da Mata Atlântica, a nova edição incorpora análises sobre Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Zona Costeira. Produzida pelo Instituto Arapyaú, Instituto Itaúsa, Agroicone, Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, Instituto Clima e Sociedade (iCS), Imazon, Amazônia 2030, CEBDS e Uma Concertação para a Amazônia, o levantamento recebeu apoio formal da presidência da COP30.
Pesquisadores do Rio Grande do Sul ouvidos pelo Correio do Povo também aproveitaram a data para refletir sobre como os impactos da crise climática não têm fronteiras. “Se existe desmatamento na Amazônia, nosso regime de chuvas no RS é afetado. É importante um trabalho integrado e coordenado para além do nosso estado e do nosso país”, salienta Danielle Paula Martins, líder do projeto Laboratório de Vulnerabilidades, Riscos e Sociedade (LaVuRS) da Universidade Feevale.
Professor da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da PUCRS, Pedro Maria Ferreira assinala a necessidade da sociedade entender que não há segregação entre população e meio ambiente. “Às vezes há uma necessidade de se colocar o meio ambiente como algo longe da sociedade. Nós somos o meio ambiente e dependemos dele, assim como o restante da Natureza. Portanto, somos extremamente vulneráveis a qualquer alteração ambiental”, ressalta.



