Subsídios a combustíveis fósseis cresceram 20% no Brasil em 2022

5 de dezembro de 2023
Brasil subsídios fósseis crescem
Anthony Fleyhan / COP28 via Pública

Os benefícios concedidos à indústria de petróleo e gás não apenas aumentaram como foram 5 vezes maiores que incentivos para energias renováveis, mostra o Inesc.

No ano passado, ainda no governo do inominável, R$ 80,9 bilhões deixaram de entrar ou saíram dos cofres públicos brasileiros na forma de subsídios aos combustíveis fósseis. O valor foi 20% maior que os benefícios para a indústria de petróleo e gás em 2021 – R$ 67,7  bilhões – e cinco vezes maior que os R$ 15,5 bilhões aplicados no financiamento da energia renovável no país.

Outras comparações podem ser feitas. Os subsídios para hidrocarbonetos no ano passado representam quase 23 vezes a proposta do governo para o orçamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA) para 2024, de R$ 3,6 bilhões. E quase metade dos R$ 180,58 bilhões previstos para a pasta da Educação no próximo ano.

Os dados são do estudo “Subsídios às fontes fósseis e renováveis no Brasil (2018-2022): reformar para uma transição energética justa”, lançado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) na 2ª feira (4/12). O objetivo do levantamento é fomentar o debate sobre o apoio à produção e ao consumo de petróleo e gás, sobretudo no momento em que o Brasil assume a liderança do G20 – e contraditoriamente decide se associar à OPEP+, como mostra a Agência Pública.

O principal subsídio, segundo o estudo, refere-se às desonerações de combustíveis autorizadas em 2022 pelo inominável. Segundo o g1, a medida foi uma resposta ao aumento dos preços internacionais por causa da guerra entre Rússia e Ucrânia e “notadamente, em função da disputa eleitoral”.

Assessor político do Inesc, Cássio Carvalho disse à Folha e ao Brasil de Fato que a tendência deve se repetir em 2023, já que o governo Lula manteve a desoneração dos combustíveis. A cobrança sobre a gasolina foi retomada parcialmente em julho. Sobre o diesel, os impostos continuam zerados.

O Inesc questiona o discurso do governo, que quer se apresentar como liderança no debate global sobre a transição energética ao mesmo tempo em que incentiva o crescimento da produção nacional de petróleo, tradicionalmente o principal destino dos subsídios ao setor de energia do país. O principal exemplo é a pressão pela exploração de combustíveis fósseis na foz do Amazonas.

O Brasil de Fato também noticiou o estudo do Inesc.

Em tempo 1: Repetindo o blablabla de sempre e surpreendendo zero pessoas, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, voltou a defender, em entrevista ao DW e ao Estadão, a exploração de petróleo na foz do Amazonas. Silveira reitera a velha falácia de que o combustível fóssil “deve ser fonte de riqueza” – Macaé e Maricá, no Rio de Janeiro, e o interior do Maranhão que o digam. Além disso, o ministro afirma que a adesão do Brasil à OPEP+ não causou nenhum mal-estar. Quanto à imagem do Brasil, o estrago foi grande. (Veja nota a seguir)

Em tempo 2: Falando em subsídios, o Valor lembra em editorial a manobra feita pela Câmara dos Deputados semana passada, que inclui, entre outros jabutis, subsídios a termelétricas a carvão no projeto de lei que regula as eólicas offshore no Brasil, transformando em cinza a pauta verde que os parlamentares queriam apresentar na COP28. “Os ‘jabutis’ do setor de energia criaram seu próprio sistema interligado: a obrigatoriedade de construção de térmicas a gás nos locais onde não há gás e de PCHs, inseridas na privatização da Eletrobras, foram pousar, modificadas, no PL 1.1247/18”, diz o jornal. E a professora de demografia e chefe do Departamento de Saúde Global e População da Escola de Saúde Pública de Harvard, Marcia Carvalho, reitera o risco das usinas a carvão para o clima e a saúde das pessoas. “Baixa eficiência e potencial excesso de mortalidade devido à exposição a partículas são motivos para substituir essa fonte energética”, diz ela, em artigo na Folha.

 

ClimaInfo, 5 de dezembro de 2023.

Clique aqui para receber em seu e-mail a Newsletter diária completa do ClimaInfo.

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Glossário

Este Glossário Climático foi elaborado para “traduzir” os principais jargões, siglas e termos científicos envolvendo a ciência climática e as questões correlacionadas com as mudanças do clima. O PDF está disponível para download aqui,
1 Aulas — 1h Total
Iniciar