Painel criado por Trump para questionar ciência climática agiu de forma ilegal

Com mais de 100 afirmações falsas ou enganosas, relatório foi escrito por grupo secreto escolhido a dedo pelo governo estadunidense.
2 de fevereiro de 2026
(Gage Skidmore/Wikimedia Commons)

O Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts decidiu na 6ª feira (30/1) que o painel criado pelo governo Trump que rejeitou o consenso científico sobre as mudanças climáticas agiu de forma ilegal. Escolhido a dedo pelo secretário de Energia, Chris Wright – que é do setor petrolífero -, o grupo publicou um relatório, por meio do Departamento de Energia (DoE, sigla em Inglês), que foi usado para a revogação da “constatação de perigo”, base legal da regulamentação federal de gases de efeito estufa criada em 2009.

A Lei do Comitê Consultivo Federal de 1972 não permite que agências recrutem ou dependam de grupos secretos para fins de formulação de políticas, explica a Veja. No entanto, segundo o juiz William Young, que declarou a ilegalidade do governo dos EUA, o DoE não negou que falhou em realizar reuniões abertas ou reunir um equilíbrio de pontos de vista quando criou o Grupo de Trabalho sobre o Clima.

Erin Murphy, advogada sênior do Fundo de Defesa Ambiental e responsável por apresentar a ação judicial junto com a União de Cientistas Preocupados, disse que os e-mails e documentos internos tornados públicos mostram que nomeados políticos do DoE coordenaram com a Agência de Proteção Ambiental (EPA, sigla em Inglês) e transmitiram instruções aos pesquisadores climáticos para produzir o relatório científico tendencioso. 

Segundo uma análise do Carbon Brief, o documento de 140 páginas publicado em julho do ano passado possui mais de 100 afirmações falsas ou enganosas. Já no seu resumo executivo, o relatório diz que “o aquecimento induzido pelo CO2 pode ser menos prejudicial economicamente do que se acredita”, e  que “políticas de mitigação [de emissões] excessivamente agressivas podem se mostrar mais prejudiciais do que benéficas”.

Apesar da decisão, o juiz não atendeu pedido dos grupos ambientalistas para  apagar o relatório dos registros públicos, destacam Folha e New York Times. Mas a Reuters lembra que a revogação da constatação de perigo ainda está em revisão final na Casa Branca. Inicialmente, ela deveria ter sido divulgada no final do ano passado.

  • Em tempo 1: Infelizmente, as decisões antiambientais e anticlimáticas tomadas pelo “agente laranja” e sua gangue impactam a vida de todo o planeta, já que agravam as mudanças climáticas e aumentam a poluição da água e do ar. Em seu primeiro ano de mandato, Trump tomou quase 70 ações para desfazer normas que protegem os ecossistemas e o clima. Mas, além da revogação da constatação de perigo, o governo busca revogar os limites de CO2 emitidos por veículos, bem como anunciou planos para adiar a implementação de regulamentações sobre o metano, um poluente que aquece o planeta mais de 80 vezes mais do que o dióxido de carbono. O Guardian conta mais das ações antiambientais (e antihumanas).

  • Em tempo 2: Uma nova análise alerta que o plano de Donald Trump para ampliar a exploração de combustíveis fósseis em alto-mar pode resultar em mais de 4.000 derramamentos de petróleo em águas estadunidenses. A proposta, anunciada em novembro passado, autoriza até 34 leilões de concessões para exploração de petróleo e gás fóssil em alto-mar nos próximos cinco anos - uma expansão que supera em muito as concessões oferecidas por governos anteriores, conta o Inside Climate News. Se o plano  vingar, poderá lançar mais de 12 milhões de galões de petróleo bruto em algumas das áreas marinhas mais importantes do país em termos ecológicos.

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