
Além da tragédia ambiental, os incêndios que já consumiram 230 mil hectares de vegetação na Patagônia argentina causaram estragos na economia local, que contava com os turistas neste verão. Porta de entrada de parte dos turistas que querem visitar as belas paisagens da região, Bariloche não foi atingida pelas chamas. Mas basta deixar o centro da cidade que áreas inteiramente verdes vão sendo rasgadas por trechos acinzentados de terra, com cadeias de árvores queimadas.
O cheiro de queimado vai ficando mais forte conforme se viaja até o sul, destaca a Folha. Na 2ª feira (2/2) as áreas florestais tiveram algum alívio com a queda da temperatura e uma fina chuva. Mas os ventos fortes e os termômetros ainda em alta dificultam o trabalho dos bombeiros, informa o Estadão.
O ano de 2025 foi fraco para o turismo na Argentina como um todo, com o verão do coincidindo com um momento em que a moeda local estava sobrevalorizada em relação ao dólar. Na Patagônia, os pequenos comerciantes contavam com o verão de 2026, quando a chegada de turistas estrangeiros voltou a crescer, para recuperar parte dessas perdas. Mas, com os incêndios, diversos locais de hospedagem, alimentação e passeios nem puderam abrir.
Com os incêndios florestais na Patagônia batendo recorde em janeiro, a província de Chubut, no sul argentino, que concentra o maior número de focos, teve as maiores emissões de fumaça geradas por queimadas desde o início das leituras via satélite, em 2003, segundo o Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus (CAMS), integrante do observatório europeu. De acordo com o Um Só Planeta, foram quase 1,6 milhão de toneladas de carbono despejadas no ar apenas no mês passado.
No fim da semana passada, o presidente da Argentina, Javier Milei, declarou estado de emergência para quatro províncias do centro da Argentina e da Patagônia afetadas pelos incêndios florestais, relata o Euronews. A medida visa facilitar a cooperação entre os bombeiros das províncias e do país.
A decisão de Milei não o livrou de críticas às suas medidas de austeridade, que reduziram significativamente os recursos para o meio ambiente, informa o Terra. Organizações ambientalistas têm denunciado os cortes orçamentários que reduziram significativamente os recursos para prevenção e resposta a incêndios florestais.
O orçamento da Argentina para 2026 reduziu os recursos para o Serviço Nacional de Gestão de Incêndios em 71% em termos reais em comparação com 2025, mostra a ONG Fundación Ambiente y Recursos Naturales (FARN). “Esses incêndios são absolutamente previsíveis”, disse Ariel Slipak, economista da FARN, acrescentando que Milei priorizou um orçamento equilibrado em detrimento dos fundos de emergência “a todo custo”.
Vale lembrar que Javier Milei, um “filhote” portenho de Donald Trump, já se referiu às mudanças climáticas como uma “mentira socialista”. Seu governo também está considerando se retirar do Acordo de Paris, seguindo o exemplo do “agente laranja”.



