
Seguindo a máxima de que não há nada tão ruim que não possa ser piorado, a Agência Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em Inglês) enfraqueceu os limites de poluição para termelétricas a carvão. A medida, anunciada na 6ª feira (20/2), surge dias após a EPA revogar a “determinação de perigo” e “abrir a porteira” para o aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE).
A norma de 2012 sobre Mercúrio e Substâncias Tóxicas do Ar para usinas de energia, conhecida pela sigla MATS, exige que as instalações reduzam as emissões de mercúrio e de outros poluentes atmosféricos metálicos, como arsênio e chumbo, associados a ataques cardíacos, câncer e atrasos no desenvolvimento infantil. O governo de Joe Biden reforçou a regra em 2024. Agora, a EPA está desfazendo essa ação, alegando que impõe um ônus indevido, especialmente às usinas de carvão, explica a Bloomberg.
Segundo o Environmental Defense Fund, a norma reduziu em 70% a poluição permitida por mercúrio proveniente de usinas de carvão e em dois terços as emissões de níquel, arsênio, chumbo e outros metais tóxicos, além de resultar em uma economia de US$ 420 milhões em custos com saúde até 2037. Por isso, grupos ambientalistas e de saúde argumentam que os custos para a saúde pública decorrentes do retorno ao padrão menos rigoroso superam em muito qualquer economia de custos para as usinas alegada pela EPA, informa a Reuters.
A medida representa um dos muitos esforços do “agente laranja” para reviver a decadente indústria carbonífera estadunidense, apesar das evidências científicas esmagadoras de que a queima de carvão está prejudicando a saúde pública e impulsionando níveis perigosos de aquecimento global, lembram New York Times e Folha. O carvão é o mais poluente dos combustíveis fósseis.
“Famílias sofrerão doenças evitáveis simplesmente porque Donald Trump e Lee Zeldin [administrador da EPA] querem ajudar a indústria do carvão a economizar alguns trocados”, protestou Laurie Williams, diretora da campanha Beyond Coal, do grupo ambientalista Sierra Club.



