
A presidência brasileira da COP30 publicou na 6ª feira (27/2) um chamado de submissão de propostas para os mapas do caminho do fim dos combustíveis fósseis e do desmatamento. Governos, organismos multilaterais, setor privado e sociedade civil podem enviar contribuições até 31 de março, detalha o Um Só Planeta. Segundo o Observatório do Clima, apesar do processo de elaboração dos mapas ser paralelo às negociações oficiais, a consulta foi aberta via Convenção do Clima da ONU (UNFCCC).
Na consulta pública, a presidência pede que as propostas respondam a quatro questões sobre os combustíveis fósseis e o desmatamento: quais são as principais barreiras para que o mundo se liberte de ambos; quais são as alavancas políticas, econômicas e financeiras que permitiriam as duas transições; quais são os exemplos de países, regiões ou setores que avançaram no sentido de um e outro; e como refletir a diversidade dos países e as circunstâncias nacionais em relação à dependência de fósseis ou ao grau de conservação de suas florestas.
O objetivo dos mapas é preencher lacunas deixadas pelas negociações nas conferências do clima. O roteiro para o fim dos combustíveis fósseis, em especial, teve grande resistência na cúpula em Belém, sobretudo por parte de petroestados como Rússia, Arábia Saudita, Iraque e Irã.
O mapa do caminho para o fim dos combustíveis fósseis terá sete capítulos: riscos físicos sistêmicos; riscos econômicos e financeiros; riscos institucionais e sociais; demanda por combustíveis fósseis; oferta de combustíveis fósseis; uma economia em transição; e um capítulo final de recomendações, detalham Folha e Carta Capital.
A presidência da COP30 quer ter os respectivos mapas prontos até outubro. Ou seja, um mês antes do início da COP31, na Turquia, quando o mandato de André Corrêa do Lago acabará.
Paralelamente, ocorrerá entre 24 e 28 de abril, em Santa Marta, na Colômbia, a Primeira Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis. O encontro espera reunir diplomatas e a sociedade civil para produzir um documento que também contribua para o processo do mapa do caminho.
No entanto, tanto a Colômbia quanto o Brasil afirmam que as iniciativas são paralelas, com o objetivo comum de acelerar a transição para longe dos combustíveis fósseis – a principal causa das mudanças climáticas.
Por falar em mapa do caminho, O Globo lembra que o plano nacional segue travado. Demandadas pelo presidente Lula em dezembro do ano passado, após o frustrante desfecho do tema na COP30, as diretivas do mapa brasileiro deveriam ter sido apresentadas em 6 de fevereiro. Mas divergências entre os ministérios envolvidos nos trabalhos têm travado a divulgação das diretrizes.



