O “petrovírus” infectou todo o setor

fracking

Em coletiva concedida ontem, toda a diretoria da Petrobras garantiu que seguirá com o plano de venda de ativos, refinarias por exemplo. André Ramalho e Rodrigo Polito, do Valor, contam que, frente ao tombo do preço internacional do barril de petróleo, o presidente da empresa, Roberto Castello Branco, disse que a empresa terá que aprender a viver com o preço do barril abaixo de US$ 25. O preço da gasolina na porta das refinarias caiu mais de 40% neste ano, e o do diesel só não acompanhou a queda porque a demanda do agronegócio continua alta. A estimativa da Argus é que esta caiu por volta de 20%.

Assim como o coronavírus está agora fazendo muitas vítimas nos EUA, o “petrovírus” pegou em cheio a indústria norte-americana do fracking e a propalada “dominância energética” de Trump. Analistas preveem que a produção deve cair no 2ª semestre e ao longo ano que vem, chegando no final de 2021 em um nível 20% menor que o atual. Isso se o preço do barril parar de cair. Mais uma queda e a produção volta ao ponto em que estava no começo de 2017.

Segundo escreve Derek Brower, no Financial Times, as maiores produtoras de óleo e gás de fracking, como a Occidental, a ConocoPhillips e a Chevron, cortaram bilhões de dólares de seus planos de investimento, uma queda estimada em mais de 40%. Além disso, algumas empresas estão parando a operação de metade de seus poços.

Um dos diretores da RS Energy Group comentou: “Com o WTI [West Texas Intermediate que, junto com o Brent, forma as referências internacionais do preço do barril de petróleo] a 30 dólares ou o Henry [Henry Hub, o preço de referência do gás natural] a 2 dólares nada funciona em escala na América do Norte”.

A RS estima que a produção no campo do Permian, o mais atraente, só é viável com preços do barril a partir de US$ 43. Esta semana, o WTI oscilou em torno de US$ 25. O Valor publicou uma tradução do artigo de Brower.

Os ricos do hemisfério Norte trancados em casa e a China só agora começando a querer se recuperar fizeram a demanda por petróleo despencar quase 20%, acompanhando a queda do preço do barril. Analistas ouvidos pela Axios prevêem um corte de 20% dos empregos do setor, em torno de 1 milhão de postos de trabalho.

David Gaffen, na Reuters, lista em 10 pontos porque a indústria do petróleo não voltará a ser a mesma: de estoques altos de combustível de aviação, passando pelo prejuízo de quem compra petróleo nos EUA para seu refino até a alegria russa ao assistir os exploradores de petróleo dos EUA e do Canadá pedindo ajuda aos governos. Sobrou até para os produtores brasileiros de etanol, que estão preferindo produzir mais açúcar.

 

ClimaInfo, 27 de março de 2020.

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