UE promete contribuição “substancial” a novo fundo de perdas e danos

UE contribuição perdas e danos
Alexandre Lallemand/Unsplash

Sem citar cifras, a Comissão Europeia anunciou que fará uma contribuição financeira “substancial” ao novo fundo para perdas e danos causados pela mudança do clima.

Em declaração divulgada nesta 2ª feira (13/11) em Bruxelas, o comissário europeu para o clima, Wopke Hoekstra, confirmou que a União Europeia deve contribuir para a capitalização do futuro fundo para perdas e danos, “no contexto de um resultado ambicioso na COP28 em matéria de mitigação, adaptação e meios de implementação”.

O compromisso foi anunciado depois do encontro de Hoekstra com o presidente designado da COP28, Sultan al-Jaber. Os dois reafirmaram o interesse comum em operacionalizar os acordos de financiamento para perdas e danos, além de impulsionar novos compromissos em prol de energias renováveis e eficiência energética.

A promessa da UE é a primeira diretamente voltada ao fundo de perdas e danos. Como assinalou a Reuters, muitos países manifestaram interesse em contribuir com o fundo, mas não formalizaram nenhum compromisso. Mesmo o governo dos EUA, que terminou como “vilão” nas negociações recentes sobre o fundo, sinalizou que pretende destinar “vários milhões de dólares no fundo na COP”, como disse o enviado especial norte-americano para o clima, John Kerry.

A Bloomberg destacou também a pressão que os europeus estão fazendo sobre o governo dos Emirados Árabes, anfitrião da COP28, para que contribua também para o fundo de perdas e danos. O país não figura na lista de nações desenvolvidas nas negociações climáticas, mas é dono de uma das maiores reservas de petróleo do planeta e um dos principais produtores mundiais de combustíveis fósseis.

A discussão sobre quem financia o fundo para perdas e danos – e, de forma mais ampla, as ações climáticas nos países em desenvolvimento – está no centro das divergências entre ricos e pobres nas negociações climáticas. Tudo indica que, mesmo com as promessas da UE e a “promessa de promessa” de outras nações, essas divergências seguirão fortes durante a COP28.

“As batalhas políticas sobre quem paga e quem recebe podem dar origem a ressentimentos ainda mais profundos”, alertou o analista Mihir Sharma na Bloomberg. “Quem decidirá qual destes custos é o mais merecedor de compensação? Como podemos confiar em alguém para medir e compensar todos os danos que as mudanças climáticas já causaram? Reconhecer a injustiça [climática] é fácil. A justiça reparativa é que é difícil”.

O site POLITICO também abordou a promessa de financiamento da UE.

 

ClimaInfo, 14 de novembro de 2023.

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