Idosos são os mais prejudicados por calor excessivo causado por mudanças climáticas

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Pesquisa mostra que quase um quarto da população idosa mundial poderá estar vivendo em áreas de calor excessivo até 2050 por causa das mudanças climáticas.

Há cerca de um mês, o grupo conhecido como Vovós pelo Clima ganhou uma importante ação contra o governo suíço no Tribunal Europeu de Direitos Humanos (ECHR, sigla em Inglês). O coletivo de mulheres com média de idade de 73 anos argumentou que os esforços do governo de seu país contra a crise climática foram insuficientes para protegê-las de ondas de calor mais frequentes e intensas. E que os eventos climáticos extremos minaram sua saúde e as colocaram em risco de morte.

Além da cobrança por uma atitude efetiva dos países contra as mudanças climáticas, a ação das “vovós” também se justifica por outra razão: pessoas 60+ formam um dos grupos mais vulneráveis à crise climática. Fato comprovado pelo estudo “Global projections of heat exposure of older adults”, publicado na Nature Communications.

A pesquisa mostra que quase um quarto da população idosa mundial poderá estar vivendo em áreas de calor excessivo [o limiar crítico considerado pela pesquisa é uma temperatura máxima de 37,5°C] até a metade do século. A previsão é que em 2050 sejam quase 250 milhões de idosos vivendo em um planeta grassado pelos efeitos da crise climática. A exposição a altas temperaturas pode causar desidratação, distúrbios de sódio, disfunção renal e até mesmo a morte, sobretudo entre os mais velhos, detalha a Folha.

Os pesquisadores alertam que isso provavelmente criará pontos de vulnerabilidade biológica e social. O impacto nos sistemas de saúde e na desigualdade global será enorme, destaca o Guardian, porque as pessoas idosas são mais vulneráveis a temperaturas elevadas e as populações que serão mais afetadas tendem a estar nos países mais quentes e mais pobres do Sul Global.

A população global está envelhecendo a um ritmo sem precedentes – inclusive no Brasil, como mostrou o Censo 2022 do IBGE. Até 2050, o número de pessoas com 60 anos ou mais deverá dobrar para 2,1 bilhões, representando mais de 1 em cada 5 habitantes do planeta. “Dois terços deles viverão em países de baixa e média rendas, onde eventos climáticos extremos são especialmente prováveis”, previu o artigo.

Coordenador do estudo, Giacomo Falchetta, da CMCC Foundation – Euro-Mediterranean Center on Climate Change, espera que a pesquisa ajude a persuadir os formuladores de políticas a abordar a iminente colisão entre o crescimento populacional, o aumento da expectativa de vida e as mudanças climáticas, informa a Time. Compreender onde as populações mais velhas estão em risco de problemas de saúde relacionados ao calor, por exemplo, poderia ajudar os governos a direcionar recursos de saúde e abordar as necessidades de infraestrutura, como a construção de redes elétricas para gerenciar o aumento da demanda por eletricidade para ar condicionado e centros de resfriamento, e fornecer mais espaços verdes urbanos.

Science News, Environmental Health News e npr também repercutiram o estudo.

 

 

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ClimaInfo, 17 de maio de 2024.

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