ATL 2026: Congresso usa Direitos Indígenas como moeda de troca, diz APIB

Em Brasília, indígenas também esperam a presença de Lula para reafirmar compromissos para a próxima gestão, caso vença as eleições.
6 de abril de 2026
atl2026
Valter Campanato/Agência Brasil

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), junto com organizações regionais de base, reafirmou a capital federal, Brasília, como território ancestral indígena de luta e resistência. Em carta aberta divulgada na 2ª feira (6/4) no Acampamento Terra Livre (ATL), a entidade ainda chamou atenção para as decisões do Congresso Nacional, onde os Direitos Indígenas “viram moeda de troca entre parlamentares e setores privados, empresas e corporações nacionais e estrangeiras lucram sobre as nossas vidas”.

O documento também faz cobranças ao Poder Executivo. A APIB aponta o tímido avanço das demarcações das Terras Indígenas (TIs), que contribui para o aumento de invasões, da violência e das tentativas de exploração de bens naturais. “A União tem a obrigação de demarcar e proteger os territórios e as vidas indígenas, além de garantir a consulta livre, prévia e informada. Não admitimos omissão ou tutela disfarçada de diálogo”, afirma o documento.

Em relação ao Poder Judiciário, a carta celebra o reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da inconstitucionalidade do marco temporal e da omissão do Estado em demarcar e proteger TIs. No entanto, a APIB lembra que criminalizar as retomadas de territórios ancestrais e substituir o Direito Originário pela compra de terras é fazer recair sobre quem resiste o peso de uma injustiça histórica.

“Segurança jurídica, para nós, não pode significar garantias que premiam invasores, acordos de conciliação que atendem a interesses privados, nem regulamentação de mineração em nossos territórios sagrados. Segurança jurídica é terra demarcada e protegida, é povo vivo, com nossa cultura e direitos respeitados”, destaca a carta aberta.

As eleições de 2026 serão destaque na primeira marcha do evento, que acontece hoje (7/4), a partir das 9h, sob o nome “Congresso inimigo dos povos: Nosso futuro não está à venda”, informam Brasil de Fato e Metrópoles. Os indígenas denunciarão propostas legislativas que ameaçam seus territórios e suas vidas, como a liberação da mineração em TIs ou o estabelecimento do marco temporal, detalha O Tempo.

Com o início da corrida eleitoral, os organizadores do ATL esperam receber o presidente Lula, candidato à reeleição. “Estamos dialogando para que o presidente venha ao acampamento e possamos repactuar compromissos para a próxima gestão”, afirmou Kleber Karipuna, coordenador da APIB, ao InfoAmazonia.

  • Em tempo: Cerca de 1.300 indígenas se reuniram em Amajari e Uiramutã, em Roraima, em apoio ao Acampamento Terra Livre, conta o g1. Os participantes denunciaram invasões de garimpeiros na Terra Indígena (TI) Raposa Serra do Sol e a morte de Gabriel Ferreira, jovem liderança indígena de 28 anos.

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