FMI critica subsídios de países a combustíveis fósseis por causa da guerra

Para executivo do fundo, transferências de dinheiro temporárias e direcionadas ‌que não mascarem os preços mais altos seriam a melhor opção.
15 de abril de 2026
fmi monitor fiscal
Reprodução vídeo imf.org

Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã provocaram a disparada dos preços do petróleo, do gás fóssil e de derivados, bem como restrições sérias no fornecimento desses produtos a vários países. Como resposta, muitos governos nacionais correm para tentar conter os aumentos decorrentes dos derivados à população.

Uma das ações adotadas por diversas nações tem sido a concessão de subsídios aos combustíveis fósseis. O que está errado, avalia Rodrigo Valdés, novo chefe de assuntos fiscais do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para ele, os países deveriam abandonar esses benefícios para ajudar seus cidadãos a lidar com a escassez de petróleo e com o consequente aumento dos preços da energia.

Em vez de subsídios, Valdés sugere que os governos optem por transferências monetárias temporárias e direcionadas que não mascarem os preços mais altos de petróleo, gás e derivados e mantenham a demanda elevada. “Não temos petróleo. Não temos energia. A energia precisa ficar mais cara para todos, para que haja um ajuste e consumamos menos”, disse Valdés à Reuters, em entrevista reproduzida pelo Terra.

O governo da Malásia, por exemplo, prevê gastar US$ 1,8 bilhão (R$ 9 bilhões) em subsídios a combustíveis fósseis somente em abril, informa a Bloomberg. É um valor 10 vezes maior do que os cofres públicos malaios desembolsavam em subsídios antes da guerra no Oriente Médio.

O Brasil também está na lista de subsidiadores. Somente com a isenção de PIS/COFINS e a subvenção a produtores e importadores de óleo diesel, o custo estimado aos cofres federais é de R$ 30 bilhões. O governo esperava cobrir esse valor pelo imposto sobre a exportação de petróleo, outra medida adotada após o conflito. Mas algumas petrolíferas — Shell, TotalEnergies, Equinor, Petrogal e Repsol Sinopec — conseguiram evitar a cobrança na Justiça. Afinal, elas não podem ceder um só centavo de seus vultosos lucros, que não param de crescer com a guerra.

Em tempo: O FMI cortou a projeção de crescimento da economia mundial para 2026 e alertou que os impactos provocados pela guerra no Oriente Médio podem levar o mundo à recessão caso o conflito perdure, informam UOL, CNN Brasil e Times Brasil. A estimativa de aumento do PIB mundial neste ano foi reduzida para 3,1%, em comparação com a de 3,3% apresentada no relatório de janeiro. Para o Brasil, porém, a previsão do fundo melhorou. O FMI projeta que o país crescerá 1,9% neste ano, contra 1,6% na estimativa anterior. Segundo a entidade, a economia da América do Sul sofrerá impacto econômico menor do que a de outros países da Ásia, da África e da Europa.

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Glossário

Este Glossário Climático foi elaborado para “traduzir” os principais jargões, siglas e termos científicos envolvendo a ciência climática e as questões correlacionadas com as mudanças do clima. O PDF está disponível para download aqui,
1 Aulas — 1h Total
Iniciar