
Em abril, ETFs (fundos de investimento negociados em bolsa de valores, como se fossem ações) vinculados a energia renovável registraram a maior entrada líquida mensal de capital desde janeiro de 2021. Foram mais de US$ 3 bilhões em um único mês, segundo dados da Morningstar compilados pela Zero Carbon Analytics (ZCA).
O número não é só um sinal de mercado. Como destaca o NeoMondo, é o reflexo de uma mudança estrutural na forma como o capital global lê o risco energético após dois choques dos combustíveis fósseis em menos de cinco anos – a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, e os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, em fevereiro deste ano.
O investimento na transição energética global ganhou impulso nos últimos anos, atingindo um recorde de US$ 2,3 trilhões em 2025 – um aumento de 8% em relação a 2024, de acordo com a Bloomberg NEF. No entanto, o conflito no Oriente Médio causou um despertar estrutural para a vulnerabilidade geopolítica das cadeias de suprimento de combustíveis fósseis e para a resiliência das energias renováveis e da eletrificação, reforça a ZCA.
Há algum tempo as renováveis lideram as expectativas de retorno no horizonte de 10 anos, enquanto petróleo e carvão ocupam as últimas posições. Mas agora a preferência não é só de quem já investia: ela está crescendo.
Uma pesquisa global com investidores feita em março pelo instituto CORE (também destacada na análise da Zero Carbon Analytics) mostrou que 14% dos entrevistados elegeram as renováveis como a principal aposta para retornos no prazo de um ano, ante 9% no levantamento anterior. Foi a maior alta entre todas as fontes de energia, destaca a Exame.
Um sinal nessa direção veio do maior fundo soberano do mundo. Em 5 de maio, o norueguês Norges Bank Investment Management (NBIM) – que administra cerca de US$ 2,1 trilhões – anunciou que está no caminho para destinar 1% de seus ativos a projetos de energia renovável até 2030. A promessa é excelente, mas vale lembrar que recentemente o NBIM foi acusado de recuar em seus compromissos climáticos.
Os bancos multilaterais de desenvolvimento também sinalizam a mesma direção. Uma pesquisa do instituto ODI Global com funcionários de governos de países em desenvolvimento, realizada em março, revelou que 79% preferem investir em energia solar, 54% em hidrelétricas, e 47% em eólicas.



