Brasil perde mais de 6 mil vôos por causa da alta do combustível de aviação

Alta de quase 100% do querosene faz companhias cortarem milhares de voos em todo o país em maio e junho; Petrobras anuncia redução do preço.
1 de junho de 2026
brasil vôos combustível aviação
Halley Pacheco de Oliveira/Wikimedia Commons
Resumo
  • Alta do combustível derruba oferta de voos no país: Preço do QAV quase dobrou em três meses, levando companhias aéreas a cortar mais de 6 mil voos entre maio e junho.
  • Redução da malha aérea afeta quase todo o Brasil: Pernambuco, Bahia e Goiás registraram quedas expressivas na programação, enquanto São Paulo e Rio de Janeiro lideram em número absoluto de voos cancelados.
  • Passagens sobem apesar das medidas do governo: Dados da ANAC mostram que, em março, houve alta de 18% em comparação com março de 2025, e de 14,5% em relação ao mês anterior.
  • Em apenas três meses desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no dia 28 de fevereiro, o preço do querosene de aviação (QAV) dobrou no país. A Petrobras e o governo federal adotaram medidas para parcelar os reajustes e tentar evitar repassar às passagens aéreas a alta do combustível responsável por quase 50% dos custos operacionais do setor. O que não impediu a redução da oferta de voos.

    A Folha teve acesso a um levantamento da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) que compara o cenário atual ao do fim de fevereiro, antes da escalada internacional dos preços do petróleo. Desde então, mais de 6.200 voos foram cancelados. Em maio, o setor perdeu 3.596 voos. Outros 2.675 estão previstos para serem cortados em junho.

    Os dados da ANAC mostram que a redução da malha aérea atingiu praticamente todo o país. Pernambuco aparece como o estado mais afetado. O número de voos previstos para maio caiu 12,8% em relação ao fim de fevereiro, o que equivale a 427 operações retiradas da programação. Em junho, a queda segue elevada, com redução de 11,6% e mais 378 voos a menos.

    A Bahia registrou retração de 10,1% em maio, com corte de 362 voos. Goiás perdeu 9,6% da sua programação, e o Espírito Santo teve redução de 9%. Já o Rio de Janeiro viu desaparecer 514 voos apenas em maio, ficando atrás apenas de São Paulo em números absolutos: foram 844 voos retirados da programação dos aeroportos paulistas em maio.

    Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), o litro do QAV saiu de R$ 3,35 em meados de fevereiro para R$ 6,65 no início de maio. Ontem (1º/6), a Petrobras anunciou uma redução de 14,2% no preço do combustível, informam Times Brasil, Brasil 247 e Poder 360. A queda se dá após três aumentos consecutivos, em março (9%), abril (55%) e maio (18%).

    Além de menos voos, a população teve de lidar com passagens mais caras, apesar das tentativas do governo para conter a alta. Dados da ANAC mostram que, em março, houve alta de 17,8% das passagens em comparação com março de 2025; e aumento de 14,5% em relação ao mês anterior.

    • Em tempo: Além do QAV, a Petrobras anunciou na 2ª feira (1/6) uma redução no preço do óleo diesel em suas refinarias - R$ 0,35 por litro no combustível vendido às distribuidoras. Com isso, o preço médio cobrado pela petrolífera passa de R$ 3,65 para R$ 3,30 por litro, informam R7 e Bloomberg Línea. Segundo o InfoMoney, a medida substitui a isenção de tributos federais que expirou em 31 de maio. Mas o governo publicou uma medida provisória criando um novo programa de subsídios para o diesel no valor de R$ 1,12 por litro, válido até 31 de dezembro. Já a gasolina subiu nas refinarias da Petrobras, informa o InfoMoney. A empresa passou a cobrar R$ 0,48 a mais por litro no fim da semana passada. No entanto, a Petrobras oferecerá um abatimento de R$ 0,44 por litro, repassando a subvenção aprovada pelo governo ao combustível. Com isso, a alta ficou em 1,5%. Não fosse o subsídio federal, seria de 18,68%.

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