Coalizão Respirar reivindica manutenção do prazo para a implantação do Proconve P8

A Coalizão Respirar reivindica a manutenção do prazo acordado para a implantação do Proconve P8, e demanda que qualquer medida para a retomada econômica do setor automobilístico seja atrelada a melhorias ambientais. A Coalizão Respirar é formada por mais de 20  organizações da sociedade civil.

A melhoria parcial e pontual da qualidade do ar nas grandes cidades durante a pandemia devido ao isolamento social, somado ao papel da poluição atmosférica na dispersão do vírus, é motivo de alerta para a Coalizão Respirar, grupo de organizações da sociedade civil em prol do ar limpo. A coalizão publicou o Manifesto “Queremos respirar no novo agora”, reivindicando medidas intersetoriais de incentivo e transição para uma economia mais sustentável, eficiente e resiliente, que considere uma redução necessária de poluentes atmosféricos no Brasil.

Entre as propostas, está o alinhamento de medidas de melhoria da qualidade ambiental e de saúde pública atreladas à retomada econômica do setor automobilístico, com estímulo à utilização de energias renováveis e de tecnologias mais limpas de combustíveis, além do incentivo à eletrificação. Para isso, o grupo considera fundamental a manutenção e avanço no Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores – Proconve P8.

O Proconve P8 consiste na fase mais atual da legislação de redução de emissões de poluentes de veículos comerciais pesados a diesel, equivalente à norma europeia Euro 6. Ele foi aprovado em Novembro de 2018 pela Resolução Conama 490/2018, 6 anos após a última fase P-7, e com um prazo já atrasado de 2022/2023 para sua implantação, questão também reivindicada pela Coalizão Respirar

Vale destacar que, segundo o International Council on Clean Transportation – ICCT, cada ano de atraso na implantação do P-8 é responsável por cerca de 2.500 mortes prematuras anuais. Mas um pedido recente da Anfavea contradiz tal proposta de saúde pública ao propor o seu adiamento por mais 2-3 anos. 

Viabilizar a transição para a nova fase deve ser considerado um investimento, e não uma perda, tendo em vista que a redução da poluição com o novo sistema potencialmente salvará 150 mil vidas até 2050 a um custo evitado em perda de produtividade de R$ 63 bilhões, segundo o Instituto Saúde e Sustentabilidade.

 

ClimaInfo, 3 de jul de 2020.

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