Racionamento de combustível e ônibus gratuitos: a reação dos países ao choque do petróleo

Prevendo impacto duradouro da guerra no Irã nos preços, governos tomam medidas para mitigar o impacto sobre consumidores e economia.
31 de março de 2026
ônibus
Mitchell Johnson/Unsplash

Após um mês de ataques e sem sinal efetivo de seu fim, a guerra no Oriente Médio já afeta países em todo o mundo e ameaça o crescimento econômico, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI) (leia aqui). Com as incertezas sobre os preços do petróleo e do gás fóssil, que dispararam com o conflito, e sobre a oferta de fertilizantes, governos em todos os continentes se movimentam para minimizar os estragos.

A BBC lista as medidas adotadas por diversos países. No Reino Unido, famílias de baixa renda que usam óleo para calefação terão direito a acessar um pacote de 53 milhões de libras (R$ 364 milhões) para ajudar a custear as estas despesas. Já a Irlanda reduziu impostos sobre a gasolina e o diesel.

No Egito, lojas, restaurantes e cafés foram instruídos a fechar às 21h todas as noites neste mês, enquanto a iluminação pública e a publicidade nas ruas estão sendo reduzidas. Os trabalhadores de serviços não essenciais foram orientados a trabalhar em casa um dia por semana para reduzir o número de deslocamentos. E o governo egípcio aumentou os preços da gasolina e as tarifas do transporte público para limitar o impacto do conflito nas finanças públicas.

Também na África, o Sudão do Sul começou a racionar a eletricidade em sua capital, Juba. O país possui algumas das maiores reservas de petróleo da África Oriental, mas a maior parte é exportada, enquanto importa o produto refinado necessário ao consumo interno. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o Sudão do Sul gera 96% da sua eletricidade a partir do petróleo.

Na Ásia, as Filipinas, que importam 98% do seu petróleo do Golfo Pérsico, viram o preço do diesel e da gasolina mais do que dobrar. O país declarou estado de emergência nacional, com o governo subsidiando motoristas de transporte, duramente afetados, mostra o Guardian. Também houve redução dos serviços de balsa e a implementação da semana de trabalho de quatro dias para funcionários públicos.

Segundo a AP, as nações asiáticas estão competindo cada vez mais pelo petróleo bruto russo, à medida que a crise energética se agrava devido à guerra no Irã. Mas especialistas dizem que há um limite em relação ao quanto Moscou pode aumentar suas exportações. A oportunidade é efêmera e vem diminuindo, disse Muyu Xu, analista sênior de petróleo bruto da empresa global de dados comerciais Kpler. “O verdadeiro problema é a quantidade de carga ainda disponível neste mercado”, disse ela.

Quanto ao gás fóssil, a Índia, por exemplo, está acelerando as autorizações para o comissionamento de usinas eólicas e sistemas de armazenamento de energia em baterias, informa a Reuters. Embora o gás represente apenas cerca de 2% da geração total de energia do país, a Índia utiliza cerca de 8 gigawatts (GW) de energia a gás durante os períodos de pico de demanda ou ondas de calor.

Telegraph, Reuters, Guardian, Reuters, Bloomberg, Reuters e Euractiv também repercutiram as reações à crise energética.

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