
A Copa do Mundo de 2026 será marcada não só pela realização em três países-sede – Canadá, Estados Unidos e México – e pelo recorde de seleções participantes, mas também pelo impacto direto da crise climática no torneio. O relatório “Fora do Jogo: Como as Mudanças Climáticas Podem Prejudicar a Copa do Mundo de 2026”, da Climate Central, mostra que, das 104 partidas do mundial, 97 têm probabilidade de registrar temperaturas acima de 28oC, limite associado à queda de desempenho dos jogadores.
Quase metade das partidas programadas tem pelo menos 50% de chance de acontecer sob temperaturas altas que prejudicam o desempenho em campo. Em 26 delas, há pelo menos 10% de probabilidade dos termômetros ficarem acima deste teto térmico.
O maior impacto pode ocorrer na partida entre Uruguai e Espanha, que acontece em 27 de junho, em Guadalajara, no México. O levantamento aponta uma probabilidade de 70% da temperatura durante o jogo ultrapassar 28oC – sendo que as mudanças climáticas aumentaram este risco em 37 pontos percentuais, informa o Free Press Journal.
O calor afeta o estilo e o ritmo da partida. Com temperaturas altas, os jogadores correm menos, adotam táticas mais conservadoras em campo e têm uma taxa de recuperação mais lenta, detalham Bloomberg e Bein Sports.
Técnicos e jogadores estão preocupados com as altas temperaturas. O capitão da seleção brasileira, Marquinhos, elegeu o calor como um dos maiores adversários nesta Copa do Mundo, segundo a CNN Brasil.
A seleção da Inglaterra está em Miami, na Flórida, para tentar se adaptar ao calor excessivo, relatam Metrópoles e GE. “Não estamos acostumados a atuar sob esse tipo de calor e umidade, e até mesmo em altitude, caso joguemos no México. Haverá muitos desafios nesta Copa do Mundo. O calor é um deles”, afirmou o técnico inglês, Thomas Tuchel.
A Copa poderá ter partidas adiadas se o Índice WBGT (“Wet Bulb Globe Temperature” ou “Temperatura de Bulbo Úmido”) ultrapassar 32oC. Como O Globo explica, o índice combina valores de umidade, calor radiante (como a luz solar direta) e movimento do ar – variáveis que afetam a capacidade do corpo de regular sua temperatura interna por meio da transpiração e da troca de calor.
O estudo da Climate Central corrobora a análise da rede climática de cientistas World Weather Attribution (WWA), divulgada em maio. A avaliação aponta que cerca de um quarto dos jogos da Copa de 2026 ocorrerão em condições acima dos limites de segurança.
Cientistas e esportistas já alertam há tempos que as mudanças climáticas ameaçam a prática esportiva e as competições. No entanto, os organizadores de grandes eventos ainda deixam a desejar na consideração desses fatores. Com a FIFA, organizadora da Copa, não é diferente.
No The Conversation, especialistas debatem o que a federação de futebol poderia fazer para proteger seus jogadores. Uma das opções é manter todos os jogos em estádios fechados e com ar-condicionado. Na Copa de 2022, no Catar, sete dos oito estádios foram realizados assim. As partidas também não deveriam ocorrer à tarde, quando o índice WBGT é mais elevado.



