Desmatamento e emissões brasileiras

Desmatamento e emissões brasileiras

Última atualização
25 de março de 2026

O desmatamento é o grande vilão das emissões de gases de efeito estufa do Brasil. 

Dados de emissões de gases do efeito estufa do Brasil de 2024, segundo a 13ª edição do Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima:

  • O Brasil registrou uma redução de 17% em suas emissões de gases de efeito estufa em 2024, em comparação a 2023. 
  • Foram emitidas no país 2,14 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (GtCO2e), ante as 2,576 GtCO2e de 2023. 
  • Ao descontar as remoções de carbono por florestas, o saldo líquido ficou em 1,48 GtCO2e emitidos, 22% a menos do que no ano anterior.
  • Foi a segunda maior queda da série histórica, iniciada em 1990, e a maior em 15 anos.
  • O Brasil não deverá cumprir sua meta climática para 2025: a promessa do governo brasileiro junto ao Acordo de Paris era limitar as emissões líquidas a 1,32 GtCO2e. No entanto, o SEEG projeta emissões de 1,44 GtCO2e para a atmosfera neste ano. Ou seja, apesar de ser quase 3% menos que o registrado em 2024, o total ficará em 9% acima da meta.
  • O principal setor emissor foi o de mudança de uso da terra (desmatamento), responsável por 42% do total, ou 906 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente (MtCO2e).
  • Ainda assim, o segmento apresentou uma redução de 32,5% entre 2023 e 2024.
  • O principal responsável pela queda foi o freio no desmate da Amazônia, que chegou ao terceiro menor valor da história entre agosto de 2024 e julho de 2025.
  • Com 29% do total de emissões, a agropecuária emitiu 626 MtCO2e em 2024, 0,7% a menos do que no ano anterior. 
  • Já o setor de energia (20% do total) teve alta de 0,8%, emitindo 424 MtCO2e, 0,8% acima das emissões do setor do ano passado. 
  • Houve aumento também nas emissões dos segmentos de resíduos (que incluem tratamento de lixo e esgoto), com recorde de 6 MtCO2e e crescimento de 3,6% sobre 2023; e indústrias emitiram 94 MtCO2e, 2,8% a mais que no ano anterior.

Além do desmatamento, há a degradação ambiental – que está diretamente relacionada à expansão das queimadas, especialmente nos meses de agosto e setembro. Junto com o fogo, seca e extração de madeira também contribuíram para esse processo.

Impacto da agropecuária no desmatamento:

A conversão de vegetação nativa em áreas para agropecuária causou uma perda de 1,4 bilhão de toneladas de carbono na camada superficial do solo de 30 cm de espessura. Isso equivale a uma emissão de 5,2 bilhões de toneladas de CO2 equivalente (tCO2e) – cerca de 3,5 vezes as emissões líquidas do Brasil em 2024, que totalizaram 1,48 bilhão de tCO2e, de acordo com o SEEG.

A forma como se produz impacta diretamente a retenção de carbono no solo. A conversão de mata nativa para monoculturas tradicionais causa uma perda média de 22% de matéria orgânica. No entanto, quando são adotados sistemas integrados (lavoura-pecuária), essa perda cai para 8,6%.

A técnica de plantio direto também se mostrou muito mais eficiente que o cultivo convencional. Enquanto o método tradicional (que revolve o solo antes do plantio e o deixa exposto entre as safras) perde 21,4% de carbono, o plantio direto (no qual o solo está sempre coberto e o revolvimento é mínimo) limita essa redução a 11,4%. 

Queimadas e incêndios florestais: 

As emissões por incêndios florestais não entram no inventário nacional. Segundo o INPE, 38% da área devastada na Amazônia em 2024 aconteceu por “degradação progressiva”, classificação que engloba as queimadas.

No ano passado, as emissões por fogo chegaram a 241 MtCO2e. Ou seja, se fossem contabilizadas, elas duplicariam as emissões líquidas do país por mudança de uso da terra.

O Brasil é o 5º maior emissor de gases de efeito estufa do planeta (sexto, se a União Europeia for considerada como bloco).

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